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Toyama: cidade projetada para o envelhecimento

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Toyama: Adaptando-se para o Envelhecimento e Declínio da População

Antecipando a sociedade que está envelhecendo a cidade de Toyama, no Japão, tem tentado se tornar uma cidade envelhecida para as pessoas à frente de outras cidades do país. Há cerca de 10 anos atrás, a cidade lançou a criação da chamada “cidade compacta”, projetada para o envelhecimento. O sucesso do projeto levou o governo japonês a decidir promover a construção dessas cidades também em outras partes do país.

Em seu artigo intitulado “A small Japanese city shrinks with dignity” a revista “The Economist”, como sempre, vem enfatizando a forma como o Japão lida com o progressivo envelhecimento de sua população. Oportunamente, como o Brasil terá perfil semelhante ao da nação asiática em algumas décadas a frente, vale refletir sobre como os japoneses estão se adaptando ao envelhecimento de sua população.

THE ECONOMIST, 2018, destaca que na cidade de Toyama, com pouco mais de 400 mil habitantes, o centro de cuidados preventivos, Kadokawa, oferece aos idosos academia de ginástica, piscina, reabilitação e massagem. Um médico fica de prontidão para o caso de um dos frequentadores cometer excessos:

“Kazuko Onagawa, aos 87 anos, não se abala. Ágil e elegante, ela anda em volta de uma piscina no Centro de Cuidados Preventivos de Kadokawa. Depois que ela secar, ela pode cair no ginásio, na sala de reabilitação ou no salão de massagens. Um médico está permanentemente no local, caso ela ou seus amigos exagerem.”

Cerca de 30% dos seus 418.000 habitantes têm 65 anos ou mais, proporção bem maior que a do Japão como um todo (27%), além disso projeta-se que até 2025, esta proporção será de 32%. Para piorar a situação, além de envelhecer, a população de Toyama está em declínio: até 2025, terá 390.000 habitantes.

Ainda, de acordo com THE ECONOMIST, 2018, há um grande dilema no Japão e em especial em Toyama: à medida que a população envelhece e, para piorar, diminui, os serviços públicos fornecidos aos seus residentes precisam se adaptar. O Centro Kadokawa, por exemplo, é construído no local de uma escola primária que foi fechada em 2004.

“A maior parte do Japão está em um dilema semelhante. Cerca de 400 escolas fecham todos os anos; alguns estão sendo convertidos em lares de idosos. Em 2016, houve 300.000 mortes a mais do que nascimentos. Se o Japão continuar no curso atual, terá perdido quase um terço de sua população… em 2065”.

Mas como fazer isso se a reforma dos serviços públicos é dispendiosa e o declínio do número de pessoas em idade ativa significa que há menos receita fiscal?

Segundo Masashi Mori, o prefeito de Toyama, o Japão não aceitará a imigração em massa e esforços para elevar a taxa de natalidade tiveram pouco sucesso.

Assim, a única alternativa é aprender a viver com muito menos pessoas e para permanecer solvente, a cidade decidiu encolher não apenas na população, mas em tamanho, concentrando seus moradores e serviços no centro.

O governo da cidade está provocando um verdadeiro boom para o centro. A população do centro da cidade está aumentando, abrigando 37% dos moradores, ante 28% em 2005. Até 2025, a expectativa é que esta proporção seja de 42%.

trainPara conseguir atingir seus objetivos, o primeiro foco da cidade tem sido o transporte público, com a construção de um sistema de bonde fácil de ser usado pelos idosos e encorajando-os a morar perto dele, usando para tanto principalmente linhas de trem já existentes.

Sem barreiras nas estações e sem degraus nos bondes e pessoas idosas com 65 anos ou mais podem comprar um bilhete com desconto e ir a qualquer lugar na rede por ¥ 100 (US $ 0,90). Os resultados? O número de usuários dos trens da cidade mais do que dobrou quando a primeira linha reformada foi inaugurada em 2006 e o número de passageiros na faixa dos 70 aumentou mais de três vezes.

Outra grande medida, foi o subsidio tanto a construção quanto a compra de novas moradias a 500 metros de distância das novas paradas de bonde e ainda aluga várias propriedades no entorno. A prefeitura de Toyama paga dois terços do custo de administrar o Centro de Kadokawa e oferece subsídios adicionais para a abertura de instalações que atendem a pessoas idosas no centro da cidade. A cidade até subsidia os salários dos idosos contratados por empresas locais.

Desta forma a população do centro da cidade está aumentando, assim como a do resto da cidade cai. Este boom no centro trouxe novas lojas e outros negócios, o que ajudou a estabilizar as receitas fiscais. Além disso, os custos de prestação de serviços municipais caíram, diz Masashi Mori, prefeito de Toyama, que está em seu quarto mandato: “Queremos uma cidade pequena para os idosos viverem confortavelmente e com alegria”.

Enquanto os países estão olhando para o futuro de suas populações, no Japão o futuro já chegou:

“O Japão é muito idoso, então o governo prioriza fazer citações amigáveis ​​aos idosos, diz Setsuko Saya, chefe de política regional na pesquisa da OCDE sobre o envelhecimento nas cidades”. (GRAHAME, 2016)

Embora Toyama seja pequena, pode-se refletir como podemos minimizar os efeitos da perda de receitas provocada pelo envelhecimento e declínio de suas populações.

 

Referencia Bibliográfica:

  • THE ECONOMIST. A small Japanese city shrinks with dignity. Toyama, Japão, 11 jan. 2018. Disponível em: <https://www.economist.com/news/asia/21734405-authorities-are-focusing-keeping-centre-alive-small-japanese-city-shrinks-dignity >Acesso em: 22 mar. 2018.
  • GRAHAME, Alice. Improving with age? How city design is adapting to older populations. The Gardian, Londres, 25 abr. 2016. Disponível em: < https://www.theguardian.com/cities/2016/apr/25/improving-with-age-how-city-design-is-adapting-to-older-populations> Acesso em: 22 de mar. de 2018.
  • FOREIGN PRESS CENTER JAPAN. Challenging Aging Society! Regional City Toyama’s Approach. Japão, 24 jan. 2014. Disponível em: <http://fpcj.jp/en/assistance-en/tours_notice-en/p=18166/> Acesso em: 22 de mar. de 2018.

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Diretor de Marketing da Live Sênior, atualmente cursa Pós-Graduação em Gerontologia do Hospital Israelita Albert Einstein em São Paulo capital.